Eu comecei no Instagram por obrigação. Sempre fui uma pessoa low profile, e a ideia original da rede, expor a intimidade de forma literal, não me atraía. Com o tempo, encontrei meu caminho: postar apenas fotos feitas com o celular para provar que a fotografia de verdade vai muito além do equipamento.
Mas o cenário mudou.
Do portfólio ao balcão de vendas
O que começou como uma rede de conexões pessoais e portfólios artísticos se transformou em um imenso supermercado. Hoje, o Instagram é uma vitrine ininterrupta de cursos, anúncios e estratégias de venda. O engajamento, no fim das contas, virou uma transação comercial: views geram lucro.
A briga contra a dopamina
Senti na pele a queda de engajamento em fotos puramente artísticas. É uma luta desleal contra conteúdos projetados especificamente para ativar a dopamina imediata. E não há hipocrisia aqui: eu também consumo esse tipo de entretenimento.
O que me assusta é perceber que até o "bem-estar", o simples ato de parar, olhar e perceber o mundo, virou um produto comercializável. O simples foi negligenciado. Estamos constantemente buscando o próximo "shot" de conteúdo para preencher o tédio ou o descanso.
O Desafio da Presença
Esta fotografia que ilustra este post é um convite. "Pare, Olhe, Escute". Em um mundo de pressa, o registro de algo tão comum nos força a desacelerar.
Fica aqui o desafio: o quanto um texto reflexivo e uma imagem artística ainda conseguem ressoar em uma rede feita para vender? Penso em me tornar um "criador de conteúdo" de fotografia no futuro, mas hoje, minha observação é de quem vê as redes sociais se tornando, cada vez mais, uma banca de vendas e menos um espaço de percepção.
E para você: o Instagram ainda é um lugar de inspiração ou virou apenas um shopping center digital?
Quero saber se esse tipo de reflexão ainda encontra espaço no seu feed. Comenta aqui embaixo.