Recentemente, estive conversando com amigos que fiz nesses últimos tempos. Gosto de ouvir histórias, entender a trajetória e a batalha de cada um; perceber como chegaram onde estão, como enxergam e no que acreditam. É nessa troca que a nossa visão de mundo se expande.
Uma dessas histórias me marcou profundamente. Conversávamos sobre a irmã de um deles, que passou anos na fila de espera por um transplante de órgão. Foram anos de paciência, angústia e uma luta diária para viver.
Finalmente, o transplante aconteceu. Enquanto eu ouvia o relato, tomado de alegria pela saúde dela, veio o choque da realidade. Meu amigo me disse: "O transplante veio de uma menina jovem e saudável, que estava na academia e teve uma morte súbita".
No exato momento em que ele falou isso, a complexidade da história apareceu. Para uma pessoa sobreviver, a outra deixou de viver. É um sentimento genuinamente agridoce: celebra-se a alegria do recomeço enquanto se respeita a tristeza do fim. Podemos até criar a narrativa de que a vida daquela moça serviu a um propósito maior e que isso pode trazer conforto à família no luto, mas não é algo que possamos dizer sem responsabilidade ou da boca para fora.

A Fotografia como Recorte da Realidade
Essa sensação, essa percepção e o exercício da escuta ativa em entender histórias reais são o que carregam o nosso olhar. A fotografia nasce aí.
Fotografar é uma escolha. É recortar a realidade, escolher onde dar o foco e o que deixar de fora em um mundo que acontece em velocidade máxima. Quem faz essa escolha somos nós. E quem somos nós? Somos o conjunto de tudo o que absorvemos e vivemos.
A prova de que a fotografia é puramente subjetiva está na forma como as pessoas reagem a ela. Há quem ame a fotografia em preto e branco por acreditar que ela traz peso, textura e atemporalidade para a imagem. Por outro lado, há quem a deteste por associá-la à semelhança de fotos de luto. Afinal, quem está certo sobre o P&B?
Ambos estão. A manifestação de sentimentos e a comunicação não se dão apenas pela fala ou pela escrita, mas também pela imagem. Cada pessoa lê a foto com a bagagem que carrega no peito.
Esta história que contei é apenas uma das tantas que já vi, vivi, ajudei ou observei de longe. São esses recortes que moldam a minha fotografia, a minha realidade e a sensibilidade que dedico ao meu trabalho. A técnica é apenas a ferramenta; ela acompanha o que a gente sente e expressa.
Por isso que sempre digo: mais do que registrar cenários ou pessoas, vamos fotografar sentimentos.

Você quer um fotógrafo que enxergue os sentimentos envolvidos no seu trabalho?
Se você acredita que as suas memórias, o seu evento ou o seu posicionamento profissional merecem ser registrados por alguém que pratica a escuta ativa e enxerga além da superfície, vamos conversar. O seu legado merece ser contado com sensibilidade e respeito.